"PUNHO DE FERRO" DEU ERRADO?



O mundo da Marvel já começou nos cinemas e está se expandindo em uma série de edições especiais de quadrinhos e logo foi para o canal ABC com a série Agents of S.H.I.E.L.D. (2013). A Marvel se juntou com a Netflix para produzir um microuniverso de séries, focadas em personagens menores que os Vingadores, e com maior liberdade criativa. A mais recente série da Marvel com a Netflix foi liberada na íntegra, no dia 17 de março. E, infelizmente, Punho de Ferro (Iron Fist) fica bem abaixo das expectativas dos viciados na Marvel. 



Vamos começar dizendo que Punho de Ferro tem muitos pontos negativos. Muitos sim. Mas não estou dizendo que a série seja necessariamente ruim. Como forma de entreterimento padrão, é possível assistir Punho de Ferro sem problemas. Acontece o seguinte, desde que Demolidor (Daredevil) pegou todo mundo de surpresa, é quase impossível não esperar grandes feitos com a Marvel e a Netflix. Apesar dos problemas, as personagens principais das séries anteriores são excelentes e ao mesmo tempo em que se constroem bem o suficiente para atingir os leitores da Marvel.
O Danny Rand que vemos no Netflix não tem motivações bem definidas, em nenhum momento da temporada. As mudanças de humor se igualam as de uma criança, e em nada deixam transparecer os seus 15 anos de treinamento em artes marciais. É bem difícil criar uma relação afetiva com Danny quando as suas ações e reações muitas vezes são necessitado de sentido, considerando as informações que são expostas. 



A culpa pela falta de simpatia do protagonista não cabe apenas ao roteiro. Finn Jones parece desorientado na maior parte do tempo, incapaz de entender o seu próprio papel. Algo que não ocorre com todo o elenco. Apesar de que o material têm que ser trabalhado dos melhores, Jessica Henwick consegue dar vida a uma excelente Colleen Wing. E tanto David Wehham quanto Tom Pelphrey se ressaltam com Harold e Ward Meachum, que nessa versão, de Netflix, são pai e filho, respectivamente. A relação dos dois é bem confusa, evasiva e cheia de furos no roteiro. Mas os dois atores mostram uma capacidade de tornar sua relação a mais acreditável possível, o que é um grande feito. 


Punho de Ferro parece não ter aprendido muito com os erros das séries antecessoras. Aqui entra um...

 SPOILER ALERT 🚨. 

É deprimente que o maior artista marcial do Universo Marvel nas telinhas tenha seu combate final com um empresário que treinou um pouco de boxe ao longo dos anos. E é inexplicável que ele ainda tenha dificuldade em vencer. E como o segundo grande vilão, Bakuto, foi derrotado por Colleen Wing, pode-se afirmar que essa é a versão mais incompetente do Punho de Ferro que já existiu. 
A série é uma narrativa mais próxima do clichê de super heróis, e isso certamente representa um desafio a mais na tentativa de inovação. Um garoto de família rica perde os pais num acidente aéreo e é resgatado por monges. Depois de treinar por anos, o garoto se torna o guerreiro mais apto de todos, e volta para sua cidade natal para recuperar seu lugar no mundo. E essa "tarefa" é dificultada pelo fato que o sócio de seu pai agora controla a empresa de seu nome. Em um misto de Batman e Arqueiro Verde, a narrative de origem só abre espaço para a criatividade com a exploração de K'un Lin, a cidade mística onde Danny Rand se torna o Punho de Ferro. 
A série mostra quase nada de K'un Lun. Talvez por não ser considerada "importante" para o roteiro, talvez por dificuldades alusivas à ver da disponível para produção. 
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